Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente

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Terça-feira, 10 de Março de 2026 | Horário: 10:00
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Herbário Municipal descobre duas novas espécies raras de árvores em São Paulo

Identificação foi baseada em expedições no extremo sul do município, reforçando a importância das pesquisas científicas na área e a grande biodiversidade presente na capital
Imagem em close de um ramo de planta em ambiente natural, com folhas largas, lisas e brilhantes em tons de verde-escuro e verde-oliva, iluminadas pela luz do sol. No centro da fotografia aparece uma inflorescência formada por vários pedúnculos finos de cor verde-clara que se ramificam como pequenos fios, cada um terminando em botões arredondados e alongados de coloração verde-viva. O galho principal é fino e apresenta tonalidade marrom-avermelhada. Ao fundo, a vegetação aparece desfocada, criando um efeito de profundidade com manchas de verde e amarelo da luz filtrada entre as folhas, destacando a planta em primeiro plano e evidenciando o contraste entre os botões verde-claro, as folhas verde-escuras e os ramos em tons de marrom.
Foto: Acervo SVMA

O Herbário Municipal, da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), em parceria com a Universidade Federal do ABC (UFABC), identificou duas novas espécies arbóreas em São Paulo, a Plinia longifructa e a Myrcia piratininga, que têm maior incidência na Mata Atlântica, ao longo da Serra do Mar. A descoberta foi baseada em expedições no extremo sul do município e estudos taxonômicos realizados entre 2022 e 2024. O artigo foi publicado no início de 2026 e reconhece as duas espécies como raras e com ocorrência nas florestas da capital paulista, o que reforça a importância das pesquisas científicas na área e a conservação da Mata Atlântica, um dos principais hotspots do planeta.

As árvores foram identificadas pelo biólogo e Analista de Meio Ambiente da SVMA, Eduardo Hortal Pereira Barreto, em conjunto com o professor da UFABC, Matheus Fortes Santos, que realizaram a descrição das novas integrantes da família Myrtaceae. Com a descoberta, as novas plantas passam a compor as mais de 3 mil espécies arbóreas encontradas no bioma brasileiro.

Plinia longifructa 
A espécie coletada no Parque Natural Municipal Varginha pode atingir até 20 metros de altura e se destaca pelos frutos alongados, característica que inspirou sua nomeação (longifructa). Atualmente, sua ocorrência é conhecida somente em três locais do Brasil, ao longo das florestas da Mata Atlântica, do Planalto Atlântico e da Serra do Mar. 

Para sua identificação, foram realizadas três expedições de campo, que permitiram detalhar características distintivas como a presença de uma porção carnosa abaixo dos lóculos do ovário, da flor e do fruto, um aspecto incomum dentro do gênero e fundamental para diferenciá-la de outras espécies.

Myrcia piratininga
Foi coletada na Reserva Particular do Patrimônio Natural do Sítio Curucutu pela equipe do Herbário Municipal de São Paulo. É uma espécie relacionada a Myrcia robusta, mas se diferencia principalmente pelo hábito escandente e mais arbustivo, crescendo apoiada sobre outras plantas.

Seu nome foi dado em homenagem a São Paulo, em referência à primeira denominação dada ao município, São Paulo dos Campos de Piratininga. Trata-se de uma espécie aparentemente rara, conhecida até o momento apenas pela coleta realizada na RPPN, onde foi registrada uma população reduzida.

Imagem de um ramo de planta fotografado em ambiente externo, em primeiro plano, contra um céu azul claro. O ramo é fino, com coloração marrom-avermelhada, e apresenta várias folhas ovais e alongadas distribuídas ao longo do caule. As folhas são lisas e brilhantes, predominando tons de verde-escuro e verde-oliva, algumas com pequenas manchas claras e bordas levemente irregulares. Entre as folhas aparecem pequenos frutos alongados e arredondados em desenvolvimento, de cor verde-viva. A iluminação natural do sol destaca o brilho das folhas e cria leves sombras. Ao fundo, a paisagem aparece desfocada, com vegetação em tons de verde e marrom e algumas áreas claras de céu, reforçando o contraste entre o verde das folhas, o verde mais claro dos frutos e o azul do céu.
Foto:  Acervo SVMA


Trabalho contínuo
Desde 2020, o Herbário participa de trabalhos científicos e da descrição de novas espécies de plantas que ocorrem no município de São Paulo, contribuindo com o conhecimento botânico da cidade. Os primeiros registros de flora do município datam do início do século XIX, realizadas por naturalistas como Auguste de Saint-Hilaire e William J. Burchell. 

Esses esforços foram ampliados com a criação da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo no final do século XIX e continuam até os dias de hoje. Em 1984, o Herbário Municipal foi criado e desde então é responsável pelo inventário da flora municipal.  A partir da sistematização dos dados de coletas botânicas, foram registradas mais de 5 mil espécies de plantas no município, das quais cerca de 3.500 são nativas da cidade. Dentre essas, 214 espécies são consideradas ameaçadas de extinção no estado de São Paulo ou no Brasil.
 

A imagem mostra o ícone da ODS 11 “cidades e comunidades sustentáveis”, representada por um ícone amarelo, com o desenho de prédios e casas brancasA imagem mostra o ícone da ODS 13 "Ação contra a Mudança Global do Clima", representada por um ícone verde escuro, com o desenho de um olho com o globo terrestre dentroO segundo ícone é a ODS 15 "Vida Terrestre", representada por um ícone verde, com o desenho de uma árvore com duas linhas horizontais abaixo e dois pássaros voando ao lado

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