Quinta-feira, 17 de Setembro de 2026 | Horário: 14:34
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São Paulo seleciona primeiro espaço-piloto para Rede de Conforto Térmico e avança em estratégias contra o calor extremo

Parque Benemérito José Brás, na região central, receberá aplicação piloto; 2º Encontro SampaAdapta reuniu especialistas, gestores públicos e representantes dos territórios para construir critérios e soluções para espaços públicos de conforto térmico

Participantes analisam mapas impressos sobre uma mesa e marcam diferentes áreas com canetas coloridas durante atividade colaborativa do SampaAdapta.

Foto: Fernanda Helena/Acervo SVMA 

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), selecionou o Parque Benemérito José Brás, na região central, para receber a aplicação piloto de uma  Rede de Espaços Públicos de Conforto Térmico da cidade. Durante o 2º Encontro SampaAdapta, realizado nesta quinta-feira, 10 de setembro, o Projeto  reuniu técnicos de diferentes áreas da Prefeitura, pesquisadores, instituições parceiras e representantes dos territórios para avançar na construção de estratégias de proteção da população diante dos efeitos do calor extremo sobre a saúde.

O parque servirá para testar como dados, conhecimentos técnicos e experiências territoriais podem ser transformados em soluções concretas e, futuramente, orientar a definição de outros espaços da cidade.

Na parte inicial do encontro, os participantes elaboraram um conjunto de parâmetros para que possíveis espaços públicos, como parques, centros esportivos, praças e escolas, possam ser utilizados como espaços de conforto térmico em situações de calor extremo.

A proposta não é definir uma intervenção isolada para o Parque Benemérito José Brás, mas utilizar a experiência como base para a construção de um modelo que possa orientar outros espaços da cidade. O encontro buscou, de forma colaborativa, estabelecer as bases dessa modelagem, integrando evidências científicas e conhecimentos dos territórios.

Do diagnóstico à ação

O 2º Encontro representa uma evolução no percurso iniciado em junho, quando mais de 40 participantes do 1º Encontro SampaAdapta discutiram os primeiros resultados do monitoramento realizado pelo projeto e caminhos para integrar conforto térmico, saúde, políticas públicas e experiências das comunidades.

Desta vez, a pergunta mobilizadora foi: o que caracteriza um Espaço Público de Conforto Térmico para a cidade de São Paulo?

Ao longo do dia, os participantes percorreram um processo de cocriação que começou pelo compartilhamento de evidências sobre calor extremo, saúde, vulnerabilidades e condições urbanas. Em seguida, os grupos analisaram necessidades e oportunidades, discutiram possíveis critérios para caracterizar um Espaço Público de Conforto Térmico e aplicaram essas reflexões ao Parque Benemérito José Brás.

Ao final, as diferentes propostas foram colocadas em diálogo para identificar convergências, complementaridades, alternativas e questões que ainda precisam de aprofundamento técnico.

“O desafio agora é transformar conhecimento em capacidade de resposta articulada. Estamos construindo critérios e parâmetros  que permitam à cidade identificar como os espaços públicos podem contribuir para reduzir a exposição e proteger a saúde da população” explica Lígia Pinheiro, coordenadora do projeto SampaAdapta. 

Calor extremo é também uma questão de saúde

O SampaAdapta parte da premissa de que enfrentar o aumento das temperaturas nas cidades exige olhar simultaneamente para clima, território, condições urbanas e saúde pública.

O projeto monitora como o calor se manifesta em diferentes tipos de moradia e contextos urbanos e prevê o cruzamento dessas informações com indicadores de saúde, como morbidade e mortalidade. Uma das principais frentes é justamente a estruturação de uma Rede de Conforto Térmico, com parques, escolas e outros equipamentos públicos sendo estudados como possíveis espaços de proteção durante períodos de calor extremo.

A primeira fase do monitoramento conta com 25 termohigrômetros distribuídos por cinco regiões da cidade: Perus, M'Boi Mirim, Jardim Helena, Raposo Tavares e Brás, permitindo comparar como o calor se comporta em diferentes microclimas e também dentro e fora das edificações.

Os primeiros dados já chamaram atenção para a exposição prolongada ao calor dentro das moradias. Durante episódios de calor extremo entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, foram registradas temperaturas internas elevadas durante a noite, período importante para a recuperação fisiológica do organismo após a exposição ao calor durante o dia.

A relevância dessa abordagem também ganhou projeção internacional. Em junho, a revista científica The Lancet destacou o SampaAdapta em reportagem sobre respostas das cidades aos riscos do calor para a saúde, apresentando a iniciativa de São Paulo como parte dos esforços para subsidiar uma futura rede de espaços públicos de conforto térmico.

Ciência, gestão pública e conhecimento dos territórios

Um dos princípios do SampaAdapta é aproximar diferentes formas de conhecimento para construir respostas adequadas à diversidade de São Paulo.
O 2º Encontro reuniu representantes da SVMA e de outras áreas da Prefeitura ligadas a clima, saúde, educação e planejamento urbano, pesquisadores da Universidade de São Paulo e instituições parceiras, além do gestor do parque, representantes de equipamentos públicos e participantes dos territórios que integram a rede de monitoramento.

Parque piloto, aprendizado para a cidade

A escolha de um território piloto permite testar como os critérios construídos podem se traduzir em soluções especializadas e viáveis. A próxima etapa será a sistematização dos resultados do Encontro e o aprofundamento técnico das propostas, que será feito pela SVMA, incluindo o desenho de implementação do piloto e a construção de indicadores capazes de avaliar seus resultados.

A expectativa é que o processo gere aprendizados para orientar a definição de critérios, parâmetros e áreas prioritárias para futuras medidas de conforto térmico na cidade, uma das entregas previstas pelo SampaAdapta.

Espaços de conforto térmico vêm sendo adotados como medida de adaptação por diversas cidades no Brasil e no mundo, como Santos, Belo Horizonte, além de Buenos Aires e Barcelona. A Secretaria tem estabelecido interações e compartilhado aprendizados com Buenos Aires e Barcelona no âmbito da Partnership for Healthy Cities.

“O conforto térmico não depende de uma única solução. É resultado da interação entre condições microclimáticas, vegetação, características do espaço construído, formas de uso e vulnerabilidades da população. O piloto permite colocar essas dimensões em diálogo em um território real”, ressalta Bruna Dallaverde,  também coordenadora do projeto. 

Sobre o SampaAdapta

O SampaAdapta é uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), desenvolvida em cooperação com a Parceria para Cidades Saudáveis (Partnership for Healthy Cities), com apoio da Secretaria Municipal da Saúde e suporte científico da Universidade de São Paulo, especialmente do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP).

O projeto é desenvolvido no contexto do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo (PLANCLIMA SP) e do Plano Municipal de Áreas Protegidas, Áreas Verdes e Espaços Livres (PLANPAVEL). 

A Parceria para Cidades Saudáveis é uma rede global de prestígio de mais de 70 cidades comprometidas em salvar vidas ao prevenir doenças não transmissíveis (DNTs) e lesões. Apoiada pela Bloomberg Philanthropies em parceria com a OMS e a organização global de saúde Vital Strategies, a iniciativa permite que cidades de todo o mundo ofereçam uma política pública de alto impacto ou intervenção programática para reduzir as DNTs e lesões em suas comunidades. Para mais informações visite: cities4health.org

 

Serviço para a imprensa

Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – SVMA
svma_imprensa@prefeitura.sp.gov.br
Tel.: +55 11 5187-0378
WhatsApp: 11 95220-0059

 

A imagem mostra o ícone da ODS 3 “cidades e comunidades sustentáveis”, representada por um ícone amarelo, com o desenho de prédios e casas brancas O segundo ícone é a ODS 11 "Vida Terrestre", representada por um ícone verde, com o desenho de uma árvore com duas linhas horizontais abaixo e dois pássaros voando ao ladoA imagem mostra o ícone da ODS 13 “parcerias e meios de implementação”, representada por um ícone azul escuro, com um símbolo composto por 5 círculos

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